Best Practices

REGA E FERTIRREGA

Uma gestão mais eficiente da água e dos nutrientes

A rega e a fertirrega têm um papel central na sustentabilidade do olival. Quando bem planeadas, permitem usar a água de forma mais eficiente, reduzir consumos energéticos, otimizar a fertilização e diminuir emissões de gases com efeito de estufa.

Num contexto de maior pressão sobre os recursos hídricos e de adaptação às alterações climáticas, a adoção de soluções mais eficientes é essencial para reforçar a competitividade e a resiliência da produção olivícola.

Principais boas práticas

·         Regar apenas quando necessário, com base em dados meteorológicos, necessidades da cultura e monitorização do solo;

·         Utilizar sistemas de rega localizada, como o gota-a-gota, que permitem maior eficiência hídrica;

·         Recorrer a sensores de humidade e ferramentas de apoio à decisão, para ajustar melhor o momento e a dotação de rega;

·         Aplicar fertirrega de precisão, adequando os nutrientes às necessidades reais do olival;

  • Melhorar a eficiência energética da bombagem, com equipamentos mais eficientes e, sempre que possível, integração de energia solar.

Benefícios esperados

A adoção destas práticas pode contribuir para:

·         Redução do consumo de água e energia;

·         Menor uso excessivo de fertilizantes;

·         Diminuição de perdas e lixiviação de nutrientes;

·         Redução de emissões indiretas associadas à rega e fertilização;

  • Maior eficiência produtiva e melhor adaptação à variabilidade climática.

Sabia que?

No olival, soluções como a rega deficitária controlada, a monitorização em tempo real da humidade do solo e a bombagem com apoio de energia fotovoltaica já permitem reduzir consumos sem comprometer a produtividade, quando corretamente dimensionadas e geridas.

 

 

AGRICULTURA REGENERATIVA E SEQUESTRO DE CARBONO

Produzir regenerando o solo e o ecossistema

A agricultura regenerativa assenta num conjunto de práticas que visam melhorar a saúde do solo, aumentar a biodiversidade e reforçar o equilíbrio do ecossistema agrícola. No olival, esta abordagem assume particular relevância, uma vez que, sendo uma cultura permanente, apresenta elevado potencial para armazenar carbono na biomassa e, sobretudo, no solo.

Num contexto de descarbonização, estas práticas permitem não só reduzir emissões associadas à produção agrícola, mas também promover o sequestro de carbono ao longo do tempo, contribuindo para a mitigação das alterações climáticas.

Principais boas práticas

·         Manter o solo coberto com vegetação espontânea ou semeada, reduzindo a erosão e aumentando a matéria orgânica;

·         Reduzir ou eliminar a mobilização do solo, evitando perdas de carbono e degradação estrutural;

·         Reciclar biomassa no próprio olival, nomeadamente através da trituração e devolução das podas ao solo;

·         Promover a diversidade biológica, favorecendo a atividade radicular e microbiana;

·         Integrar pastoreio controlado, quando adequado, como forma de gestão do coberto e reciclagem de nutrientes;

  • Aplicar matéria orgânica estabilizada (ex.: composto), reduzindo a dependência de fertilizantes minerais.

Benefícios esperados

A adoção destas práticas pode contribuir para:

·         Aumento do carbono orgânico do solo e sua estabilidade ao longo do tempo;

·         Redução da erosão e melhoria da estrutura do solo;

·         Menor dependência de insumos externos, como fertilizantes e combustíveis;

·         Reforço da biodiversidade e dos serviços dos ecossistemas;

  • Maior resiliência do olival às alterações climáticas.

Sabia que?

No olival, o solo funciona como o principal reservatório de carbono de longo prazo. Práticas como cobertos vegetais permanentes, ausência de mobilização e incorporação de resíduos de poda podem transformar sistemas agrícolas em sumidouros líquidos de carbono, contribuindo ativamente para a mitigação climática.

 

REDUÇÃO DO USO DE FERTILIZANTES SINTÉTICOS E PESTICIDAS NO OLIVAL

Produzir com menos insumos e maior eficiência

A redução do uso de fertilizantes sintéticos e pesticidas é uma das principais alavancas para a descarbonização do setor olivícola, uma vez que atua diretamente sobre alguns dos principais impactos ambientais da fase agrícola.

No caso dos fertilizantes azotados, importa considerar não só as emissões associadas à sua produção, mas também as emissões no campo, nomeadamente de óxido nitroso (NO), um gás com elevado potencial de aquecimento global. Já a redução de pesticidas contribui para proteger a biodiversidade, reduzir riscos de contaminação e reforçar a resiliência do agroecossistema.

Neste contexto, a abordagem passa por utilizar menos, mas melhor, combinando eficiência, substituição e práticas de gestão mais sustentáveis.

Principais boas práticas

·         Basear a fertilização em diagnóstico técnico, recorrendo a análises de solo e folha e ao histórico produtivo;

·         Ajustar doses e calendário de aplicação, evitando excessos e perdas de nutrientes;

·         Utilizar fertirrega e fracionamento, sobretudo em regadio, para maior eficiência na absorção;

·         Substituir parcialmente fertilizantes minerais por fontes orgânicas, promovendo a economia circular;

·         Integrar cobertos vegetais, nomeadamente leguminosas, para reforçar a fertilidade natural do solo;

·         Adotar proteção integrada (IPM), baseada em monitorização, limiares de intervenção e redução de aplicações calendarizadas;

·         Recorrer a métodos alternativos de controlo, como captura massiva ou soluções de menor impacto;

  • Otimizar as operações de aplicação, reduzindo deriva, consumo de produto e uso de energia.

Benefícios esperados

A adoção destas práticas pode contribuir para:

·         Redução das emissões associadas à fertilização, em particular de NO;

·         Menor consumo de insumos e redução de custos de produção;

·         Diminuição do risco de lixiviação e contaminação de solo e água;

·         Proteção da biodiversidade e dos serviços dos ecossistemas;

  • Maior eficiência produtiva e valorização do produto final.

Sabia que?

Uma parte significativa do azoto aplicado no solo pode não ser absorvida pela cultura, sendo perdida para o ambiente sob a forma de emissões ou lixiviação. A fertilização ajustada às necessidades reais da planta permite reduzir perdas, custos e impactos ambientais sem comprometer a produtividade.

 

AGRICULTURA DE PRECISÃO

Produzir com base em dados e maior eficiência

A agricultura de precisão corresponde ao uso de tecnologias e informação para gerir o olival de forma mais eficiente, aplicando água, fertilizantes e outros fatores de produção na dose certa, no local certo e no momento certo.

No contexto da descarbonização, esta abordagem permite atuar diretamente sobre vários fatores críticos — energia, água, fertilização e fitossanidade — contribuindo para reduzir consumos, emissões e aumentar a eficiência produtiva.

A crescente digitalização do setor, através de sensores, imagens de satélite ou drones e sistemas de apoio à decisão, tem vindo a reforçar o papel da agricultura de precisão como ferramenta central para uma olivicultura mais sustentável.

Principais boas práticas

·         Monitorizar o solo, a planta e o clima, recorrendo a sensores, imagens e dados meteorológicos;

·         Utilizar sistemas de apoio à decisão (DSS) para ajustar rega, fertilização e intervenções;

·         Aplicar fatores de produção de forma diferenciada, através de setorização ou taxa variável;

·         Otimizar a rega e a fertirrega, reduzindo consumos de água e energia;

·         Ajustar tratamentos fitossanitários com base em risco e monitorização, evitando aplicações desnecessárias;

·         Melhorar a eficiência das operações mecanizadas, com planeamento, guiamento e controlo de tráfego;

  • Registar e integrar dados de gestão, reforçando a rastreabilidade e o controlo das práticas.

Benefícios esperados

A adoção destas práticas pode contribuir para:

·         Redução do consumo de água, energia e insumos agrícolas;

·         Diminuição das emissões associadas à produção agrícola;

·         Melhoria da eficiência produtiva e da estabilidade das colheitas;

·         Aumento da capacidade de adaptação a condições climáticas adversas;

  • Maior capacidade de monitorização e reporte de práticas sustentáveis.

Sabia que?

A agricultura de precisão permite reduzir não só as emissões totais, mas também a intensidade carbónica do azeite produzido, ao aumentar a eficiência dos recursos e estabilizar a produtividade ao longo do tempo.

 

MECANIZAÇÃO EFICIENTE

Produzir com menos energia e maior eficiência operacional

A mecanização é um dos principais fatores de consumo energético na produção de azeite, sobretudo pelo uso de combustível em operações como mobilização do solo, pulverizações, poda, transporte e colheita.

A mecanização eficiente consiste em realizar as operações necessárias com o menor consumo de energia e o menor impacto no solo, mantendo a produtividade e a qualidade da produção. Trata-se, assim, de uma abordagem baseada na otimização — fazer melhor, e não necessariamente fazer menos.

Principais boas práticas

·         Adequar o trator e os equipamentos à operação, evitando sobredimensionamento e consumos desnecessários;

·         Reduzir o número de passagens no campo, através de melhor planeamento e integração de operações;

·         Adotar mobilização mínima ou gestão do coberto vegetal, sempre que tecnicamente viável;

·         Controlar o tráfego de máquinas, reduzindo compactação do solo e operações corretivas;

·         Otimizar a pulverização, com calibração adequada e aplicação apenas quando necessário;

·         Recorrer a poda e colheita mecanizadas eficientes, ajustadas ao sistema de produção;

  • Planear operações e logística, evitando tempos mortos e deslocações desnecessárias.

Benefícios esperados

A adoção destas práticas pode contribuir para:

·         Redução do consumo de combustível e das emissões associadas;

·         Diminuição dos custos operacionais;

·         Menor impacto no solo, incluindo redução de compactação e erosão;

·         Aumento da eficiência do trabalho e da produtividade operacional;

  • Redução da intensidade carbónica do azeite produzido.

Sabia que?

Cada passagem de maquinaria no campo implica consumo de combustível, emissões e impacto no solo. A redução do número de operações e a melhoria do planeamento podem ter efeitos cumulativos significativos na eficiência energética do olival.

 

EFICIÊNCIA ENERGÉTICA NO LAGAR

Produzir com menos energia e maior eficiência de processo

A eficiência energética é uma das principais boas práticas para reduzir o impacto ambiental e os custos operacionais no lagar. A energia consumida está sobretudo associada ao funcionamento de motores, bombas, centrífugas, sistemas de refrigeração, climatização e outros equipamentos auxiliares do processo.

Melhorar a eficiência energética significa produzir a mesma quantidade de azeite com menor consumo de eletricidade e menor desperdício de energia, contribuindo diretamente para a redução das emissões indiretas de gases com efeito de estufa.

Principais boas práticas

·         Monitorizar os consumos energéticos por área ou etapa do processo, identificando onde existem maiores oportunidades de melhoria;

·         Instalar variadores de velocidade (VFD) em motores, bombas e ventiladores com carga variável;

·         Substituir motores antigos por motores de maior eficiência energética;

·         Otimizar o funcionamento da linha de extração, incluindo moenda, malaxação, decanter e separadores;

·         Melhorar a eficiência dos sistemas de refrigeração e climatização (HVAC), com manutenção adequada e controlo de setpoints;

·         Reduzir perdas em bombagem, redes e ar comprimido, sempre que existam;

·         Evitar tempos mortos e funcionamento em vazio dos equipamentos;

  • Reforçar a manutenção preventiva e preditiva, reduzindo falhas e consumos anómalos.

Benefícios esperados

A adoção destas práticas pode contribuir para:

·         Redução do consumo específico de energia por tonelada processada;

·         Diminuição das emissões indiretas associadas ao consumo elétrico;

·         Redução dos custos operacionais e de manutenção;

·         Melhor controlo do processo e maior estabilidade operacional;

  • Aumento da competitividade e da sustentabilidade do lagar.

Sabia que?

Em muitos lagares, uma parte relevante do consumo energético não está apenas na linha de extração, mas também em sistemas auxiliares como bombagem, refrigeração, climatização e ar comprimido. Por isso, medir os consumos por etapa é essencial para identificar onde atuar primeiro.

Nota crítica

A eficiência energética no lagar não depende apenas de grandes investimentos. Em muitos casos, medição, regulação, manutenção e otimização operacional já permitem ganhos relevantes com retorno relativamente rápido. Esta abordagem é aplicável a diferentes tipos de lagares, desde unidades mais tradicionais até instalações mais modernas e automatizadas.

 

ENERGIAS RENOVÁVEIS NO LAGAR

Produzir energia limpa e reduzir a dependência da rede

A integração de energias renováveis nos lagares constitui um passo essencial para a descarbonização da fase industrial do setor oleícola. Após a melhoria da eficiência energética, a substituição de energia de origem fóssil por fontes renováveis permite reduzir diretamente as emissões associadas ao consumo energético, aumentar a autonomia das unidades e estabilizar custos.

A origem da eletricidade utilizada no lagar tem um impacto significativo na pegada carbónica do azeite, sendo a autoprodução renovável uma das medidas com maior potencial de redução de emissões.

Principais boas práticas

·         Instalar sistemas solares fotovoltaicos para autoconsumo, ajustados ao perfil de consumo do lagar;

·         Aproveitar energia solar térmica para aquecimento de água e processos auxiliares;

·         Integrar soluções térmicas renováveis, incluindo biomassa, quando adequadas ao perfil energético do lagar;

·         Adotar soluções híbridas (fotovoltaico + biomassa + rede) para maior flexibilidade e segurança energética;

·         Dimensionar corretamente os sistemas, tendo em conta a sazonalidade da campanha;

·         Integrar soluções de armazenamento, quando tecnicamente e economicamente viável;

  • Monitorizar a produção e o consumo de energia renovável, maximizando o autoconsumo.

Benefícios esperados

A adoção destas práticas pode contribuir para:

·         Redução significativa das emissões indiretas de gases com efeito de estufa;

·         Diminuição da dependência da eletricidade da rede e de combustíveis fósseis;

·         Redução dos custos energéticos e maior previsibilidade financeira;

·         Aumento da resiliência energética das unidades industriais;

  • Reforço da competitividade e da sustentabilidade do lagar.

Sabia que?

A produção de azeite ocorre em períodos com elevada disponibilidade solar, o que torna o autoconsumo fotovoltaico particularmente relevante para muitos lagares.

Nota crítica

A integração de energias renováveis deve ser articulada com medidas de eficiência energética, para maximizar o impacto na redução de emissões e na viabilidade económica. Importa também considerar a sazonalidade da atividade dos lagares, que influencia o dimensionamento dos sistemas, sobretudo no caso do fotovoltaico e do armazenamento.

 

VALORIZAÇÃO DE SUBPRODUTOS

Transformar subprodutos em valor para o setor

A produção de azeite gera subprodutos com elevado potencial de valorização, em particular o bagaço de azeitona e as águas ruças. Quando não são corretamente geridos, estes fluxos podem representar um desafio ambiental; quando valorizados, tornam-se uma oportunidade concreta para reduzir impactes, recuperar recursos e reforçar a circularidade do setor.

Mais do que resíduos, estes materiais podem ser entendidos como fluxos com potencial de reutilização, valorização agronómica, energética ou industrial, contribuindo para uma gestão mais eficiente dos recursos e para a redução da pressão ambiental associada à atividade do lagar.

Principais boas práticas

·         Promover a valorização agrícola de subprodutos, nomeadamente através de compostagem ou aplicação controlada, quandp tecnicamente adequada;

·         Implementar soluções de tratamento e reutilização das águas ruças, reduzindo o seu impacto ambiental;

·         Explorar vias de valorização de maior valor acrescentado, como a recuperação de compostos com interesse técnico ou industrial;

·         Aproveitar o potencial energético do bagaço, sempre que esta seja a solução mais adequada no contexto da unidade;

·         Melhorar a gestão, armazenamento e encaminhamento dos subprodutos, evitando perdas e riscos ambientais;

  • Integrar estas soluções numa lógica de economia circular, articulando o lagar com outras etapas da cadeia de valor.

Benefícios esperados

A adoção destas práticas pode contribuir para:

·         Redução do impacte ambiental associado aos subprodutos do lagar;

·         Melhor aproveitamento de recursos e redução de desperdícios;

·         Criação de novas oportunidades de valorização económica;

·         Redução de custos com gestão e encaminhamento de subprodutos;

  • Melhoria do desempenho ambiental e do cumprimento legal.

Sabia que?

As águas ruças apresentam uma elevada carga orgânica e compostos com potencial poluente, o que torna o seu tratamento e valorização um aspeto crítico para a sustentabilidade ambiental dos lagares.

Nota crítica

A valorização de subprodutos deve ser encarada numa lógica integrada e tecnicamente ajustada à escala de cada unidade. Nem todas as soluções são adequadas a todos os lagares, pelo que a escolha das vias de valorização deve considerar viabilidade técnica, enquadramento legal, logística e potencial de integração com outras etapas da cadeia.

 

TRANSPORTE E LOGÍSTICA

Reduzir emissões através de uma gestão mais eficiente dos fluxos

O transporte e a logística ao longo da fileira do azeite representam uma componente relevante das emissões indiretas de gases com efeito de estufa, associadas sobretudo ao consumo de combustíveis fósseis em deslocações de tratores, camiões e viaturas ligeiras.

Embora o seu peso relativo seja inferior ao de outras etapas da cadeia, a logística apresenta um elevado potencial de melhoria, uma vez que muitas soluções permitem reduzir emissões e custos através de melhor planeamento e organização das operações.

Principais boas práticas

·         Otimizar rotas e planeamento logístico, reduzindo distâncias percorridas, tempos de viagem e deslocações desnecessárias;

·         Evitar viagens em vazio, aumentando a taxa de carga dos veículos;

·         Implementar logística reversa, aproveitando viagens de retorno para transporte de materiais ou subprodutos;

·         Coordenar operações entre produtores e cooperativas, promovendo transporte coletivo;

·         Reduzir tempos de espera com motores ligados, através de melhor agendamento no lagar;

·         Adotar soluções digitais simples, como GPS ou ferramentas de apoio à gestão logística;

·         Promover a transição para veículos de baixas emissões, sobretudo em deslocações curtas e operações internas;

  • Criar ou reforçar pontos de recolha e armazenamento local, reduzindo a necessidade de viagens longas e frequentes.

Benefícios esperados

A adoção destas práticas pode contribuir para:

·         Redução do consumo de combustível e das emissões associadas ao transporte;

·         Diminuição dos custos logísticos e operacionais;

·         Aumento da eficiência por tonelada transportada;

·         Melhoria da organização da campanha e redução de tempos de espera;

  • Reforço da sustentabilidade da cadeia de valor.

Sabia que?

A otimização de rotas e a melhoria da taxa de carga dos veículos podem reduzir as emissões do transporte em 10% a 30%, apenas através de melhor planeamento logístico, sem necessidade de investimento significativo.

Nota crítica

O transporte é uma das áreas onde a descarbonização pode ser alcançada com medidas de baixo custo e rápida implementação, sobretudo através de planeamento e coordenação entre agentes do setor. A adoção de soluções deve ser adaptada à escala e organização da produção, sendo os modelos cooperativos particularmente eficazes na otimização logística.

 

EMBALAGEM

Reduzir impactes através de escolhas mais eficientes e circulares

A embalagem tem um peso relevante na pegada carbónica do azeite, sobretudo devido aos materiais utilizados, ao peso transportado e ao destino final da embalagem após consumo. No setor, a escolha do formato e do material pode influenciar significativamente as emissões associadas ao produto final.

A descarbonização nesta etapa passa por reduzir o peso das embalagens, melhorar a eficiência logística e promover soluções mais circulares, sem comprometer a qualidade, a conservação e a valorização comercial do azeite.

Principais boas práticas

·         Reduzir o peso das embalagens, nomeadamente através de vidro mais leve;

·         Promover formatos mais eficientes, como Bag-in-Box em determinados canais de consumo;

·         Favorecer soluções reutilizáveis ou recarregáveis, sempre que aplicável;

·         Melhorar o ecodesign da embalagem, tendo em conta produção, transporte e fim de vida;

·         Otimizar o acondicionamento e empilhamento, reduzindo volume e espaço desperdiçado no transporte;

  • Selecionar materiais com melhor desempenho ambiental, de acordo com o contexto de utilização e distribuição.

Benefícios esperados

A adoção destas práticas pode contribuir para:

·         Redução da pegada carbónica associada aos materiais de embalagem;

·         Diminuição do peso e do volume transportado por litro de azeite;

·         Redução de resíduos e melhoria da circularidade;

·         Maior eficiência logística e menor custo por unidade distribuída;

  • Valorização do produto junto de consumidores e mercados mais exigentes.

Sabia que?

Em muitos casos, a embalagem — sobretudo o vidro — pode representar uma parte muito significativa do impacte ambiental do azeite, por via da energia necessária ao seu fabrico e do peso adicional no transporte.

Nota crítica

Nem sempre a embalagem “mais tradicional” é a mais sustentável. A escolha deve considerar todo o ciclo de vida da solução, incluindo peso, proteção do produto, logística, reutilização e destino final. A solução mais adequada pode variar entre mercado local, canal HORECA e exportação.

 

DISTRIBUIÇÃO

Levar o azeite ao mercado com menor impacto climático

A distribuição do azeite, tanto no mercado interno como nos mercados de exportação, influencia diretamente a pegada carbónica do produto. As emissões associadas a esta etapa dependem sobretudo da distância percorrida, do modo de transporte, da taxa de ocupação da carga e da eficiência logística.

A descarbonização da distribuição passa por transportar mais produto com menos recursos, reduzindo deslocações desnecessárias, otimizando a carga e escolhendo soluções logísticas mais eficientes.

Principais boas práticas

·         Valorizar circuitos curtos e consumo local, sempre que possível;

·         Otimizar rotas e agrupamento de entregas, reduzindo quilómetros e viagens em vazio;

·         Aumentar a taxa de ocupação dos veículos e contentores, evitando transporte ineficiente;

·         Promover logística colaborativa e reversa, articulando fluxos de ida e regresso;

·         Adotar veículos de baixas emissões em circuitos curtos ou urbanos;

·         Recorrer a soluções logísticas de elevada eficiência para exportação, como transporte a granel em Flexitank, quando adequado;

  • Digitalizar a gestão logística e a monitorização da carga, melhorando eficiência e rastreabilidade.

Benefícios esperados

A adoção destas práticas pode contribuir para:

·         Redução das emissões associadas ao transporte e distribuição;

·         Diminuição dos custos logísticos por litro distribuído;

·         Melhoria da eficiência da cadeia de abastecimento;

·         Maior proteção da qualidade do azeite durante o transporte;

  • Reforço da competitividade em mercados nacionais e internacionais.

Sabia que?

No caso da exportação, transportar azeite a granel em Flexitank, em vez de garrafas de vidro, pode reduzir de forma muito significativa a pegada carbónica por litro transportado, ao aumentar a densidade da carga e evitar o transporte de materiais pesados.

Nota crítica

A distribuição sustentável não depende apenas da distância percorrida, mas também da forma como o produto é transportado. Em muitos casos, uma solução logística mais eficiente pode ter menor impacte do que uma rota aparentemente mais curta, se permitir maior ocupação, menor peso transportado e melhor planeamento operacional.